segunda-feira, 25 de agosto de 2008

my diary**

Na ponta da minha caneta vem-me uma insóniae todos os mares rasteirose tudo que não vem com a tintafestas de luto.Pela ponta da minha caneta a precocidade dos céus dramáticosque me interrogam.Mas meu amor, eu não te interrogonem te chamoporquanto nasço contigo num mesmo berço:os poemas que queimei no fogão.Dos poemas fiquei eu que não me fui a queimar.Porque, tu sabe-lo, no sangue não há leilõese jamais deixarias de ser impossívelnum silêncio marinho como o do sangue.E pela noiteuma estátua desce do pedestal para espreitar nos bares,e pela noite(já não quero mais noite nem mais dia)conta milhões de vidas sobre mime quero-me lá vidro escaldantecriando uma superfícieonde os teus passos fiquem marcadoscomo problemas que do meu corpoe em sonosão todos o silêncio de uma praia.Faço uma bola negra para me divertir.Justamente uma bola que não faça conclusões.Prego alfinetes no meu tapetee deito-me no meio.Depoisé esperar-me a rolardespir o sobretudo e sair.Atravessar o rioe parar junto de um sapato que está na outra margem.Desse sapato farei mil coisas:vidros,casas arruinadas,animais sem vida,infinitos de avenidae líquidos de sabores variáveis(os alfinetes do meu tapete perguntam-me se amo)e os meus cabelos ficam alheadose as minhas mãos são a estrada de tanta resposta sem fito.Cama de mim mesmo não obstantenunca me quis medirsalvo em fumo,em horas de insóniaora em catorze horas de sono funâmbulo.